Longe de Casa

BrasilNovember 4, 2006 2:13 pm

Com uma semana de atraso, gostaria de deixar meu comentário sobre as eleições no Brasil e suas possíveis consequencias.
Como contei em post anterior, meu voto em primeiro turno seria para a senadora Heloísa Helena e, como era de se esperar que houvesse segundo turno, seria de Geraldo Alckmin.
Nada contra o PT ou o Lula ou a favor do PSDB. Mas acho que nosso voto é muito importante para anulá-lo e, colocando todos os pontos relevantes dos programas de governo de cada um dos candidatos e sua trajetória política, estou convicto que Geraldo Alckmin teria maior capacidade de administrar o país. Que fique claro que não tenho a ilusão de que exista algum político que resolverá todos os nossos problema e acabará com toda corrupção que assola nosso país. Mas acredito que Alckmin seguiria as mesmas diretrizes do atual governo, mas com um dinamismo administrativo maior.
Por outro lado, o PT e o Lula já tiveram sua chance de mostra para que vieram. E o que me deixou muito desapontado neste governo não foi todo o escândalo do PT, mas sim a falta de sinalização do presidente quanto suas promessas sociais. Ele, que tanto criticou o FMI, pagamento da dívida externa e desemprego, pouco fez de diferente de seu antecessor.
Durante toda a campanha, Lula apresentou índices comparativos de seu governo com o de Fernando Henrique, mas ele não informa que enquanto o governo FHC enfrentou diversas crises externas (México, sudeste asiático, Russia, Argentina), atentado de 11 de setembro e todo desgaste e receio de consolidação do plano Real; ele, Lula, recebeu um país sem inflação e um cenário internacional extremamente favorável. E mesmo assim, enquanto China e Indía (países em desenvolvimento como o Brasil) crescem cerca de 10% ao ano, o Brasil comemora crescimento de 4% como se fosse suficiente para solucionar nosso maior problema atual que é o desemprego.
Mas deixemos minhas opiniões de lado pois o povo é soberano em suas escolhas e se a maioria (60% dos eleitores) está satisfeita com a atual situação, nada mais justo que o “homem” tenha mais quatro anos para trabalhar.
Espero que esta maioria esteja certa. Quem viver, verá.

BrasilJuly 22, 2006 5:30 pm

Já falei um pouco sobre este assunto em post passado, mas gostaria de abordar mais alguns pontos.

Tenho lido alguns Fóruns sobre a crise da Varig em sites de notícias e o que percebo é que existem dois grupos: os que torcem pela recuperação da empresa e acham que o governo deve ajudar; e os que torcem para que ela vá a falência e dizem que empresa má administrada tem que quebrar mesmo.
Além disso, existe uma outra divisão bastante interessante: as pessoas que são meramente usuárias do serviço aéreo e que sempre utilizam suas experiências de viagem como motivo para a crise da empresa (tipo: “meu vôo sempre atrasa, então tem que falir mesmo”). E tem também os funcionários e ex-funcionários da Varig e de outras Cias. que ficam discutindo questões técnicas que não sei da onde eles tiraram (por exemplo: somente a TAM tem certificação para a manutenção do “Aerolula” - avião da presidência - e que por isso cobra um valor absurdo pelo serviço).
Outros ainda dizem que a Varig deve ser salva porque ela faz parte da história do Brasil e que o filho do fulano nunca irá esquecer a cena do Romário na janela do avião (Varig, é claro) com a bandeira do Brasil depois de conquistar o tetra nos EUA. Se formos pensar nisso, não poderíamos ter deixado falir o Mappin, a Gurgel, a TV Tupi, e tantas outras empresas.
Deixando toda essa baboseira de lado, o que se deve levar em conta de verdade é a questão financeira pura e simplesmente, deixando de lado a questão emocional, afetiva e histórica.
Algo que já disse no outro post foi o fato de todas as Cias. Aéreas “antigas” já não existirem mais e o motivo é que todas foram lesadas por planos econômicos malucos, além de medidas arbitrárias que tornaram o serviço aéreo um negócio assistencialista e não comercial. E em nenhum momento o governo sinaliza para assumir estas responsabilidades. Não se trata de ajuda, mas sim honrar com os compromissos.
Outra coisa que se tem falado equivocadamente é que a crise da Varig se deve pelo surgimento das empresas de baixo custo (Gol e BRA). Isto é mentira pois estas empresas não são concorrentes das empresas tradicionais, ou pelo menos não deveriam ser. Tanto que na Europa e EUA, uma mesma empresa tem seus vôos regulares e uma subsidiária Low Fare.
É importante, então, que tenhamos ciência de que o mercado aéreo hoje é rentável e que bastaria que os credores da Varig entrassem num acordo e dessem uma carência para o pagamento. Vale lembrar novamente que os credores em sua maioria são empresas estatais (BR Combustível e Infraero) e que se forem um pouquinho só inteligentes irão preferir receber atrasado à não receber (em caso de falência) pois por um acaso a Transbrasil e a Vasp já pagaram suas dívidas com estas empresas?
Lógico que junto com este acordo é necessário que se corte vigorosamente as gorduras que a Varig carrega de longa data e que é uma fatídica herança da Fu’ndação Rubem Berta que por sinal deve deixar o controle da empresa imediatamente.
Portanto, na atual situação, com a VarigLog assumindo a Varig e mantendo apenas a Ponte Aérea até o final do mês e se prontificando a cortar 70% dos funcionários, caso a ANAC não se intrometa, acho bastante grande a chance da Varig se recuperar. E aí sim, depois disso, podemos voltar a ficar lembrando dos saudosos tempos em que as viagens de avião eram sinônimo de requinte.
Como deu pra perceber, faço parte do grupo que torce pela Varig e acompanho diariamente o desenrolar dos fatos.
Quando tiver novidades, volto para comentar.
Até lá.

BrasilJuly 7, 2006 4:19 am

Como tenho prometido a tempos, vou deixá-los a par do que estamos planejando para nosso futuro.
Para os que não sabem, antes de virmos para cá, tinhámos uma agência de viagens em São Bernardo que nos últimos tempos estava indo bem mas que tinha uma dívida desde 2003 e que não estávamos conseguindo saldá-la.
Então resolvi que viria para cá, juntaria o dinheiro necessário para saldar a dívida, retornaria e continuaria tocando o negócio. Inicialmente, viria sozinho, mas conversando com nossos familiares achamos melhor que viesse a família toda e assim resolvemos. Nossa intenção era ficarmos por três anos aqui.
Entretanto as coisas não saíram como planejado nem aqui nem no Brasil. Na agência, o trabalho não foi mantido como anteriormente: o Serviço Leva e Trás (que era nosso “cartão de visitas”) começou a não ser feito corretamente, nossa única funcionária pediu demissão, a divulgação que fazíamos pela internet a um custo baixo e com retorno bastante razoável deixou de ser feito; e a consequnência de tudo isso foi que o faturamento caiu para um terço do que era. E aqui, os custos iniciais de quem chega do Brasil foram bem maiores do que pensávamos e o prazo para começarmos mandar dinheiro foi maior.
O resultado disso foi que além dos juros que continuavam correndo, a empresa entrou novamente no vermelho e após um ano de nossa chegada, a dívida já havia sido multiplicada por cinco.
Os problemas seguiram se agravando com a empresa agonizando até maio deste ano. E no mês que ela completava oito anos de existência, acabou fechando e encerrando assim um ciclo de nossa vida.
Diante desta situação é que tivemos que reavaliar todas as nossas perpectivas e resolver alterar nossos planos. Não adiantava mais retornar em três anos pois não teríamos mais a empresa que iria nos sustentar.
Então depois de muita conversa, contas e pesquisa, decidimos o seguinte:

Agência: considero encerrada esta página de minha vida. Não com mágoa mas com tristeza de um pai que viu seu filho morrer depois de tantos cuidados e dedicação. Mas aprendi muito com tudo isso e não me arrependo da experiência que tive. Acho que ganhei mais do que perdi.

Bruno: Como um filho se foi, tenho que pensar no que ficou e uma coisa está mais que resolvida. Todas as nossas decisões a partir de agora serão tomadas em função do futuro do Bruno pois ele foi o mais penalizado com toda a história e não posso sacrificá-lo novamente por cuilpa de nossos desmandos.

Tempo de permanência: É certo que retornaremos ao Brasil e este retorno já tem data (pelo menos por enquanto). Será em março de 2015, quando o Bruno concluirá o “ginásio” daqui. Ele tem demonstrado uma ótima adaptação à vida aqui e tem expressado seu desejo de continuar. Como sei que a qualidade de ensino é superior a do Brasil e que aqui temos valores cíveis melhores também não faço objeção a isto. Entretanto, já temos uma quaetão em mente pois sabemos que é grande a possibilidade dele não querer retornar em 2015. Neste caso, ficamos mais três anos para que ele conclua o “colegial”. Depois disso, ele terá três alternativas. A primeira será ele voltar conosco e fazer a faculdade no Brasil. A segunda será ele fazer a faculdade aqui mesmo no Japão e a terceira será ele fazer a faculdade em outro local (Estados Unidos, Europa ou Austrália) o que é muito comum entre os japoneses. Nos dois últimos casos, ele iria morar nas repúblicas que existem nas próprias faculdades o que permitiria que eu e a Eliene fossemos para o Brasil sem problemas. E ele nos visitaria nas férias.

Retorno ao Brasil: Quando retornarmos, provavelmente iremos morar em Atibaia pois ficaríamos perto de meus pais que a essa altura precisarão de ajuda. Além disso, é uma região bastante tranquila, com um clima muito bom e que fica próxima a São Paulo. Do jeito que as coisas andam no Brasil, é provável também que teremos que morar em condomínio fechado para termos mais segurança. Acho que montaremos algum “negócio” apenas para não ficarmos parados pois estaremos com 45 anos e se pararmos de vez ficaremos gaga.

Antes de 2015: Estão previstas duas ou três visitas ao Brasil antes do retorno, mas vai depender muito de nossos empregos pois como todos sabem, aqui não existe férias e precisamos contar com a boa vontade dos nossos chefes.

Nosso dia a dia: Em função deste prolongamento de permanência, muda também nosso dia a dia aqui pois não precisaremos e nem queremos ficar vivendo “apertados” como temos vivido nestes dois anos. Para isso, no final deste mês, estamos nos mudando para um apartamento maior (já que ainda não encontramos uma casa como queremos) com dois quartos, sala cozinha e varanda pois em agosto meus pais chegarão e precisamos de espaço para toda a família. Além disso, arrumamos um carro para podermos passear mais e conhecer os vários lugares lindos que o Japão possui. Com tudo isso, podemos oferecer uma vida mais confortável para nós e para o Bruno que está contando os dias para se mudar e para os avós dele chegarem. Ele está animadíssimo ultimamente. E isso é o que realmente importa.

Bom, acho que é isso. Fico um pouco extenso mas acho que relatei tudo que temos conversado nos últimos tempos. Conforme forem aparecendo novas idéias, vou contando a vocês.
Até a próxima.

BrasilSeptember 13, 2005 1:16 pm

Ou este mundo está de ponta cabeça ou eu é que estou no lugar errado. Não iria, nem gostaria de ficar comentando os problemas que existem em nosso país que tanto amo, mas esta foi a gota d’água.
Acabei de ler na net e ver a reportagem nos telejornais do Brasil sobre o caso da família de japoneses da zona leste de São Paulo e fiquei estarrecido. Onde vamos parar?
O que mais me chocou foi o fato de além do roubo (que infelizmente já é comum em nosso país) os ladrões torturaram as vítimas por 12 horas e depois ainda mataram toda a família.
Espero que a polícia e os orgãos responsáveis localizem o mais breve possível os criminosos e que os mesmos paguem pelos atos que cometeram.
E já que estamos falando das coisas podres de nosso país, não poderia deixar passar a prisão do nefasto Paulo Maluf e de seu filho. Todos que me conhecem sabem que eu sempre acreditei na desonestidade do ex prefeito e sempre defendi a expulsão dele de cargos públicos pois os indícios eram mais do que claros de que todas as suas obras faraônicas (que tanto ele gosta de exaltar) foram superfaturadas.
Não sou filiado a nenhum partido político, mas tenho completo desprezo por Paulo Maluf e torço para que ele morra mofando em uma cela de presídio.
E vale lembrar que nosso amigo Severino Cavalcante, o excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara dos Deputados é do mesmo partido do Maluf, bem como Delfim Neto, Sergio Naia (lembra?), Eurico Miranda… Será coincidência? Ou na verdade PP significa Partido dos Picaretas?
ACORDA BRASIL!!!!!

BrasilSeptember 7, 2005 6:58 pm

Ontem disse que falaria da escola do Bruno, mas vou adiar por um dia este assunto para homenagear a Proclamação da Independência, um das mais importantes datas cívicas de nosso país.

bandeira da independencia

Para quem não conhece, esta é a bandeira criada após a proclamação da independência e é de autoria do francês Jean Drebet.
Mesmo com todas as lambanças de nosso país, é importante darmos valor aos acontecimentos históricos pois são cada um deles que nos ajudam a entender o que vivemos hoje. No caso específico da independência, esta seria uma etapa que aconteceria mais dia menos dia pois senão estaríamos até hoje amarrados a buRRocracia e vagarosidade de Portugal.
Feliz é o povo que vive em liberdade.

Já podeis, da Pátria filhos,
Ver contente a mãe gentil;
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil.

Brava gente brasileira!
Longe vá… temor servil:
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil.

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil…
Houve mão mais poderosa:
Zombou deles o Brasil.

Não temais ímpias falanges,
Que apresentam face hostil;
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil.

Parabéns, ó brasileiro,
Já, com garbo varonil,
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil.

VIVA O BRASIL