Já falei um pouco sobre este assunto em post passado, mas gostaria de abordar mais alguns pontos.
Tenho lido alguns Fóruns sobre a crise da Varig em sites de notícias e o que percebo é que existem dois grupos: os que torcem pela recuperação da empresa e acham que o governo deve ajudar; e os que torcem para que ela vá a falência e dizem que empresa má administrada tem que quebrar mesmo.
Além disso, existe uma outra divisão bastante interessante: as pessoas que são meramente usuárias do serviço aéreo e que sempre utilizam suas experiências de viagem como motivo para a crise da empresa (tipo: “meu vôo sempre atrasa, então tem que falir mesmo”). E tem também os funcionários e ex-funcionários da Varig e de outras Cias. que ficam discutindo questões técnicas que não sei da onde eles tiraram (por exemplo: somente a TAM tem certificação para a manutenção do “Aerolula” - avião da presidência - e que por isso cobra um valor absurdo pelo serviço).
Outros ainda dizem que a Varig deve ser salva porque ela faz parte da história do Brasil e que o filho do fulano nunca irá esquecer a cena do Romário na janela do avião (Varig, é claro) com a bandeira do Brasil depois de conquistar o tetra nos EUA. Se formos pensar nisso, não poderíamos ter deixado falir o Mappin, a Gurgel, a TV Tupi, e tantas outras empresas.
Deixando toda essa baboseira de lado, o que se deve levar em conta de verdade é a questão financeira pura e simplesmente, deixando de lado a questão emocional, afetiva e histórica.
Algo que já disse no outro post foi o fato de todas as Cias. Aéreas “antigas” já não existirem mais e o motivo é que todas foram lesadas por planos econômicos malucos, além de medidas arbitrárias que tornaram o serviço aéreo um negócio assistencialista e não comercial. E em nenhum momento o governo sinaliza para assumir estas responsabilidades. Não se trata de ajuda, mas sim honrar com os compromissos.
Outra coisa que se tem falado equivocadamente é que a crise da Varig se deve pelo surgimento das empresas de baixo custo (Gol e BRA). Isto é mentira pois estas empresas não são concorrentes das empresas tradicionais, ou pelo menos não deveriam ser. Tanto que na Europa e EUA, uma mesma empresa tem seus vôos regulares e uma subsidiária Low Fare.
É importante, então, que tenhamos ciência de que o mercado aéreo hoje é rentável e que bastaria que os credores da Varig entrassem num acordo e dessem uma carência para o pagamento. Vale lembrar novamente que os credores em sua maioria são empresas estatais (BR Combustível e Infraero) e que se forem um pouquinho só inteligentes irão preferir receber atrasado à não receber (em caso de falência) pois por um acaso a Transbrasil e a Vasp já pagaram suas dívidas com estas empresas?
Lógico que junto com este acordo é necessário que se corte vigorosamente as gorduras que a Varig carrega de longa data e que é uma fatídica herança da Fu’ndação Rubem Berta que por sinal deve deixar o controle da empresa imediatamente.
Portanto, na atual situação, com a VarigLog assumindo a Varig e mantendo apenas a Ponte Aérea até o final do mês e se prontificando a cortar 70% dos funcionários, caso a ANAC não se intrometa, acho bastante grande a chance da Varig se recuperar. E aí sim, depois disso, podemos voltar a ficar lembrando dos saudosos tempos em que as viagens de avião eram sinônimo de requinte.
Como deu pra perceber, faço parte do grupo que torce pela Varig e acompanho diariamente o desenrolar dos fatos.
Quando tiver novidades, volto para comentar.
Até lá.

